4.8.08

[NUNCA NINGUÉM SOUBE O QUE É O CINEMA]

Umas vezes ficamos calados, outras vezes somos uns fala-barato.
É assim. É como diz a Vanda, mais uma vez: "quando não se tem, choramos".
Há filmes que são bebedeiras e há filmes que são ressacas.
Falava-se pouco no Ossos porque eu tinha de escrever os diálogos para todas as personagens e nunca soube escrever diálogos, nunca tive grande coisa para dizer.
Neste filme, ninguém foi obrigado a escrever coisa nenhuma, não há "argumento cinematográfico", graças a Deus!
De qualquer maneira eu jamais seria capaz de inventar coisas tão fortes, tão justas, tão bonitas como as que a Vanda, o Pango e todos os outros dizem.
Só tive que agradecer-lhes e organizar tudo para que ainda ficassem mais fortes.
E depois ninguém sabe o que se vai passar quando se liga uma câmara de filmar.
Nunca ninguém soube e é por isso que o cinema é grande.
Os que dizem o contrário são uns farsantes e os filmes que fazem são umas merdas inúteis.
Nunca ninguém soube o que é o cinema


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